segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O time do "filho do homem"

Publicamos abaixo a crônica de Roberto Silva, brilhante comentarista esportivo da Rádio Tropical (830 AM/ Ouça Aqui ). O texto foi reproduzido na íntegra de seu blog, leia aqui.




*Roberto Silva

Atendendo à solicitação do meu amigo Stéfano, vou contar uma pequena estória sobre um clube que já fez parte da Primeira Divisão do futebol Carioca e hoje passa por um verdadeira penúria: O Esporte Clube Nova Cidade.

Na verdade não vou contar a história do clube, até porque não a conheço, apesar de conhecer pessoas ligadas ao Nova Cidade e que fizeram e fazem parte até hoje da diretoria do Clube, como o professor Júlio Lourenço, incansável personalidade da história deste clube e que foi um dos responsáveis pela profissionalização do Clube junto à FFERJ e pela manutenção do ECNC com as portas abertas, principalmente no futebol, o que vou contar é um detalhe pitoresco que os mais novos desconhecem, mas que fizeram com que o time de Nilópolis ficasse marcado de forma bem humorada na mídia.

O ano era de 1988 e o Nova Cidade disputava a segundona aos "trancos e barrancos" (terminou o primeiro turno da competição na lanterna e não via perspectivas de um futuro melhor na competição). Eis que na primeira rodada do returno o Nova Cidade venceu o Serrano de Petrópolis por 1x0 e conseguiu sua primeira vitória na competição (eu compareci ao Estádio Joaquim Flores pela primeira vez e a partir deste jogo fui a todos da campanha do título). As vitórias se sucederam no returno, a maioria pelo magro placar por 1x0 e o Nova Cidade sagrou-se Campeão do 2° Turno e classificou-se para o quadrangular final, que envolveria ainda o Campeão do 1° Turno e mais duas equipes com maior número de pontos ganhos ao longo dos dois turnos. Assim foi feito e o quadrangular contou com Nova Cidade, Olaria, Campo Grande e São Cristóvão.

Ao final do quadrangular, surpreendentemente o Nova Cidade foi Campeão da segundona 1988, classificando-se juntamente com o Olaria para a disputa da primeirona em 1989.O time-base era: Wassil, Da Costa, Everaldo, Malaquias e Alvinho, Trigo, Noronha e Dê; Zé Carlos, Éber e Danilo e o técnico Ita.

Todos devem estar perguntando: O que há de pitoresco nessa estória? Quando um time disputa a segunda divisão, não tem muita repercussão da grande mídia, ou alguém sabe por exemplo quem são Bréscia, Tigres ou Villa Rio, equipes que disputam a segundona hoje? O fato é que já em 1988 o Nova Cidade tinha em seu plantel um jogador chamado Sinésio e que era ninguém mais e ninguém menos que o filho do Presidente do Clube, o já falecido Gélson Chagas e isso passou despercebido enquanto o Nova Cidade disputava contra equipes do mesmo porte, mas ao subir para a primeirona, o fato ganhou notoriedade na mídia e o Nova Cidade ficou marcado por ter um jogador que era o "filho do homem".

Em 88, durante a disputa da segundona, Sinésio, um atacante apenas esforçado, foi reserva durante quase toda a campanha. Já em 89, na primeira divisão e com um elenco bastante reforçado em relação ao ano anterior, Sinésio não só continuou no elenco como também foi titular durante boa parte da campanha do Clube, inclusive tendo marcado o gol de honra do Nova Cidade na humilhante goleada sofrida para o Flamengo de Zico, Bebeto e Cia na Gávea por 8x1.
Sinésio disputou posição no ataque em 89 com Clóvis, ex-Vasco e alguns times de Portugal, que chegou como reforço do clube e respaldado por ser primo do Baixinho Romário, mas sofreu com problemas de peso e acabou dando brechas para o "filho do homem". Sinésio ainda jogou em 90 pelo próprio Nova Cidade, sendo um dos pouquíssimos remanescentes do time campeão da segundona em 88 e posteriormente teve uma passagem pelo Mesquita FC.

Em 89, durante a disputa do Carioca, quando Sinésio pegava na bola ou saia do banco de reservas em direção ao campo de jogo, os narradores gritavam em tom de sarcasmo:- Lá vai o "filho do homem". Sendo que hoje, o "Filho do homem" tornou-se o próprio "Homem", pois é ele, Sinésio, o Presidente do Esporte Clube Nova Cidade, hoje na terceirona Carioca.

5 comentários:

Anônimo disse...

A história de Sínésio se confunde com a própria história do Nova Cidade. Sinésio é exemplo de amor e de dedicação ao seu pequeno clube e é isso que deve ficar. É isso que faz a magia do futebol.
Valeu Sinésio.
Silvio Kohler - Blumenau - SC

Pedro Estellita Lins disse...

hehehehe
muito legal essa história!
espero que esse time vingue!
e o CFZ rumo à primeirona se a federação deixar! hahaha
abração pessoal!

MR NICE GUY disse...

grande texto... já tinha lido no blog do roberto

Anônimo disse...

poxa kd o jogo de ontem ?do nova cidade x sampaio correa

Roberto disse...

O Nova Cidade perdeu por 3x1 em Coelho da Rocha.